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23 janeiro, 2012

Toscana - a cereja do bolo de Taubaté

Morar no interior tem inúmeras vantagens, mas nem tudo são só flores. A alma gorda e paulistana dessa que vos escreve, me faz lamentar todos os dias a falta que sinto de BONS restaurantes por aqui.
Calma lá! Não que Taubaté não tenha seus "lugares ", mas precisamos admitir que opção não é uma coisa tão farta por aqui.
Já comentei aqui de um lugar gracinha que estive entre Taubaté e Pindamonhangaba. Corre aqui pra conhecer o Moenda!
No distrito de Quiririm, em Taubaté também existem ótimas opções como o Gadioli, cantina italiana deliciosa de custo-benefício sensacional, mas sem muito glamour, onde somos habitue. E o francês Le Bistro que ainda não tive a oportunidade de conhecer.
Mas hoje, vim falar do Toscana.

imagem: site

30 novembro, 2010

O que eu (re)aprendi sobre a chuva... (parte 2)

O meu conceito de chuva era o que descrevi em O que sabia sobre a chuva... E pra sobreviver em São Paulo, na chuva, tinha que ser assim.

As coisas mudam...
Taubaté é perceptivelmente mais quente que São Paulo. Não entendo muito de topografia, mas tenho a impressão que o fato de ser localizada num vale e ser predominantemente plana, ressalta essa diferença de temperatura. 
O Sol aqui não brilha, o Sol castiga. Pelo menos pra mim, que gosto do frio e que sou "branco-polaca".
 É muito comum ver pessoas se protegendo com sombrinhas. E eu que achava que isso era hábito de cidade de interior, percebi que é hábito de uma cidade muito quente. E até eu mesma já pensei em usar uma...
Eu não posso trabalhar de sandália ou rasteirinha, não posso trabalhar de bermuda, saia ou vestido. Eu não tenho uma piscina em casa, e a minha pele vive em atritos com o Sol. Fica difícil gostar desse calor todo.

E foi assim: de repente me vi agradecendo aquele pé d água que desabava do céu.
Notei que eu não dava mais a mínina pro trânsito que ia se formar com a chuva... Hã? Que trânsito?
E que eu não pensava mais que caminho eu faria pra desviar do bairro que alagou... Oi? A cidade é plana e tem “verde” o suficiente pra escoar e absorver a chuva. Não alaga.
Não me estressava mais com meu cabelo que ia molhar e estragar a escova. Que escova? Não, meu cabelo não ficou liso depois que mudei pra cá, eu é que me libertei dessa escravidão!
E tudo que eu desgostava da chuva foi escorrendo, escoando e foi sendo levado pela enxurrada de coisas boas que eu sentia quando chovia.

Naquele sábado de manhã que planejávamos ir ao mercadão comprar nossos ”hortifrutis” fresquinhos, 
agradecemos pela garoa que caía. E não mudamos nossos planos, antes a garoa do que aquele sol ardido.
E a nova conotação de chuva foi se formando nos meus conceitos. E mesmo quando o Sol já não incomodava mais cedendo o lugar a Lua, eu deitava na cama no quarto escuro e ouvia a chuva bater no telhado. E dormia feliz.

Em uma noite dessas voltei a ser criança. Já era mais de nove horas quando sai com o Fernando para andar de bicicleta pela cidade e fomos surpreendidos por uma chuva torrencial de verão. Não paramos nem nos protegemos. Pedalamos até em casa debaixo de chuva forte, pelas ruas e avenidas quase vazias. Tomamos aquela chuva do início ao fim. Uma chuva que me fez compreender a expressão “lavar a alma”. E que me fez sentir a sensação maravilhosa de se entregar a uma chuva, que eu não sentia desde que era criança. Sensação que eu não lembrava mais que existia, pois cresci e aprendi a desgostar de algo tão bom!

24 novembro, 2010

Café Cultural

A minha mudança pra Taubaté me fez descobrir alguns novos pontos de vista (os quais aos poucos devo ir colocando aqui).
Não da, nem de longe, para tentar comparar uma cidade de 245 mil habitantes com a minha São Paulo. E digo isso em relação a todos os ângulos de que se olha. Uma cidade pequena te oferece muito, mas te limita muito.
O ponto de vista que me faz escrever aqui hoje, é o cultural.

Como paulistana nata que sou, logo que chego em algum lugar já saio a procura de um Café (em maiúscula). Café no sentido de estabelecimento: lugar onde se serve café, chá e outras bebidas, bem como refeições ligeira, sendo um local que desempenha um importante papel social constituindo-se em locais de reunião e troca de ideias.
Não há nada melhor que sentar num Café aconchegante com uma música suave de fundo, tomar um café, ler uma revista, um livro, navegar na Internet, ou simplesmente jogar conversa fora com amigos. Passo horas assim!

Em Taubaté encontrei um único estabelecimento que eu poderia classificar como um Café. É uma loja de uma rede de franquias conhecida em SP. Não é excelência em café, comparada a tantas opções que só São Paulo oferece, mas eu e Fernando (meu marido, outro adorador não só da bebida, mas da Cultura Café) nos fizemos presente fielmente, usufruindo e incentivando aquela Cultura.
Um dia caminhando pelo centro da cidade, precisando de um café (agora no sentido de um "pretinho") encontrei um "lugarzinho" com uma máquina de café espresso. Não era um Café (não no meu conceito), mas vendia espresso. Sentei numa banquetinha apreciando meu café e notei que havia um texto escrito nas paredes, de forma bem amadora mesmo. O texto, de um psicólogo da região, falava justamente sobre o a Cultura do Café. Muito bom o texto, me identifiquei! Questionei o dono do lugar sobre a autoria do texto e começamos a conversar, diferente de mim e do autor do texto, ele disse que o povo daqui não tem essa Cultura.
Eu tristemente concordei.

Ontem fomos dar um passeio de bicicleta pela cidade. "Que tal recuperar as energias com um pretinho? Vamos ao nosso Café, então!"
E fomos. E demos com a cara na porta.
O único Café da cidade faliu. Fechou por falta de clientes... E meu coração ficou pequenininho, pelo pesar aos donos que acabamos criando uma amizade. Porém, mais ainda pelo balde de água fria...
A mesma água fria que nos surpreendeu ao ir no show da Maria Gadu, show que nunca aconteceu, foi cancelado sem aviso nenhum e demos com a cara na porta.
Taubaté não compra Maria Gadu, mas esgota pro Fernando & Sorocaba, Padre Lázaro, Padre Fábio de Melo.
Taubaté não toma café, e menos ainda frequenta um Café, mas lota os botecos e se acaba de tomar cerveja.

Taubaté nesse sentido não está crescendo, não está aberta novas Culturas.
Pelo menos ainda não.