16 maio, 2011

Profissão Dentista

Ser dentista pode ser mais interessante do que se imagina, da até para contar umas histórias e dar umas risadas.


Tem paciente de tudo quanto é tipo, desde o colaborador, o falante, o medroso, o mentiroso, o hipocondríaco, o dono da verdade, o ignorante, o tarado, o atrasado e por ai vai. Tem paciente carente, que vai no consultório para conversar, contar as angústias, desabafar, chorar.

Tem paciente que finge ter dor. Ai você finge que cutuca, pergunta se dói e voilà!
- “Dói doutora!”.
Ah-hãn.

Ter pavor de dentista não é uma coisa muito incomum. Diria que 80% dos pacientes que sentam pela primeira vez na minha cadeira alertam “tenho horror á dentista”. E da anestesia então?! Praticamente todos abominam a injeçãozinha.
Ok, até concordo que não é nada agradável, mas antes tomar uma agulhadinha do que sentir uma dor insana por todo o procedimento! E olha, quando eu digo que tem louco pra tudo, é verídico. Teve até paciente que já pediu “Doutora, não quero anestesia não! Trata o canal sem anestesia mesmo.”
Hã???

O paciente (importante frisar que era do sexo masculino) precisava fazer a extração de um dente que estava, cá entre nós, um bagaço. Comecei pela anestesia.
Pra resumir bem a história, o paciente chorava (literalmente e como criança), esperneava, tremia que nem vara verde, e entoava aos prantos“Você esta judiando de mim! Você está judiando de mim!” com a maior mágoa no coração. A cena foi tão real, que por alguns instantes quase acreditei nele. E eu estava só na anestesia...

Tem aquele tipo de paciente que já chega ao consultório com o diagnóstico e o tratamento para o problema dele. E ai de você se discordar.
- “Doutora, o meu dente quebrou. Quebrou porque tinha uma ruga nele.”(????). Olho no espelhinho e o dente era um ninho de cáries. O estrago da cárie foi tanto que não dava nem pra tratar canal, ou fazer uma coroa, nada! Era extração de cara.
-“Doutora, eu quero só que você coloque uma massinha”
 Não dá, querido. Tem que extrair.
- “Mas eu não quero extrair”
Tem que extrair.
- “E quem é você para me dizer que eu tenho que extrair meu dente? Que autoridade você tem para condenar meu dente?”
A dentista!?!?!? Por que você não procura um mecânico para ele dizer o que você deve fazer com seu dente?
- “Você tem filhos? E se seu filho estivesse em coma em uma cama de hospital vegetando, você desligaria os aparelhos que mantém ele vivo?”
Colega, passar bem...



Tem paciente que acha que você trabalha no SUS. Ou acha que você nasceu ontem. Ele entra no seu consultório vestindo um terno puído de quinta e uma maleta, com toda pinta de executivo (na verdade só ele acha isso). Fala, fala, fala, para te deixar atordoada. Ele te diz o problema, você passa o orçamento e ele na maior cara lavada diz que não tem dinheiro e pede para você tratá-lo de graça.
Quando você se nega o sujeito “lembra-se” que tem um cheque de um amigo no bolso... em branco. 
-“A Doutora aceita cheque?”. 
Sim. Mas preciso dos dados do dono do cheque.
E o paciente não tem dados nenhum, nem um número de telefone. Do amigo.
Sei.

Tem aquele paciente simplesinho, mas que te faz ganhar o dia com umas pérolas!
-“Dra, to com uma dor aqui no fundo. No marreco. Acho que é distração.”
(Um momento de reflexão e interpretação...Falhou.)
Olha-se pelo espelhinho e conclui-se: é o siso e precisar ex-tra-ir.
-“Isso Doutora! O cisne. Cisne e marreco... tudo a mesma coisa!”

Outro. Na anamnése você faz perguntas básicas sobre tratamento médico, problemas de saúde, remédios que toma.
- “Ahhh Doutora, faz um mês que eu tirei a penis.”
Oh my God! Jurava que era uma mulher.
- “Foi cirurgia de emergência... podia estourar.”
Ah! O apêndice.

Tem aqueles pacientes com fé. Muita fé. Procedimento padrão da clínica é alertar o paciente sobre os riscos do tratamento e documentar.

#euacredito

Tem aquele paciente que você atende e fica o resto do dia pensando nele. E não é pra menos... O paciente é um chinês (da China mesmo), dono de pastelaria, fumante compulsivo, e que não usa desodorante ou se quer tem o mínimo de higiene oral. Imagine o perfume: gordura, pastel, cigarro, cecê azedo, suor, mau hálito.
Confesso que não dei conta. Pedi penico e depois de tantas sessões (até onde suportei), o passei para outra dentista.

Tem as pacientes senhorinhas. As mais fofas! Na páscoa te dão chocolate, no seu aniversário te dão sabonetes da Natura.

A paciente senhorinha, unhas feitas, de vestidinho, cheirosinha, vem com a filha solteirona na clinica. Mas quando estamos a sós ela confessa: “Quero arrumar um namorado. Mas como vou namorar se minha filha não namora?”. Linda! Não quer deixar a filha pra titia.


Tem os micos também. A secretária me entrega uma ficha de paciente nova para fazer avaliação. Nome: Fátima*.  Vou até a recepção, olho, só vejo um moço. E questiono a secretária: “Cadê a paciente?”. O moço na sala de espera ri.
Ele é ela. Na verdade a Fátima é uma menina que quer ser um menino. E conseguiu.
Mas como eu ia saber disso?

Às vezes a gente fala demais. O Edgar* tem alguns probleminhas congênitos; uma perna mais curta, problema nos rins e um leve atraso. Na consulta, papo vai e papo vem. Passo a pomadinha que antecede a anestesia para aliviar a picada da agulha.
-“Doutora, isso é xilocaína, né?!”
É!(como ele sabe o nome?)
-“Eu uso em mim também.”
- Pra que? (Não. Não acredito que eu perguntei isso em voz alta! Da pra voltar no tempo pra eu calar a minha boca?)
O paciente fica sem graça e ri.
(Ahh meu Deus! É isso mesmo que eu to pensando...)
- “Eu tenho que usar sonda por causa do rim. Eu mesmo que coloco a sonda pela uretra. É pra isso.”
Ufa! Aprende a ficar quieta Mariana.

Uma vez uma amiga me confessou que não conseguia entender o que levava alguém a ser dentista. Cheguei à conclusão que podem existir muitas respostas para essa pergunta. Tem quem decida se tornar dentista só para ser chamado de Doutor (a).
Tem gente que opta pela odontologia por status. Ou por dinheiro. Mas já foi a época que era fácil enriquecer na odontologia. Hoje em dia ser dentista não é mais sinônimo de ter MUITO dinheiro, mas de trabalhar muito.
Tem quem escolhe a profissão por influência. Tem pai, mãe, parentes dentistas. Consultório montado já esperando pra trabalhar. Facilita.
E tem os frustrados, que na verdade queriam ser médicos e não conseguiram passar no vestibular.
Nenhuma dessas foi minha razão em me tornar dentista. Quando adolescente me encantei com a profissão quando freqüentava um consultório mensalmente (aparelho fixo nos dentes). E hoje faço o que faço porque gosto. E muito.

Olha pra você que reclama de dentista, da uma chegada na Índia pra ver como as coisas funcionam por lá. Ou melhor, se tiver estomago veja o vídeo abaixo:




E olha, infelizmente (pra mim felizmente), todo mundo precisa de um dentista. Não se meta a se auto-diagnosticar, auto-medicar e auto-tratar. Não dá certo. E não tentem isso em casa:






Ossos do ofício. 
Dentes do ofício.
 
(* os nomes foram trocados para proteger a indentidade do paciente)

09 maio, 2011

C.l.a.n.d.e.s.t.i.n.o. - Bel Coelho


“...Hoje é meu aniversário,
Corpo cheio de esperança
Uma eterna criança, meu bem
Hoje é meu aniversário
Quero só noticia boa
Também daquela pessoa, oba...”

Como já dizia Vanessinha, hoje é meu aniversário (05 de maio) e quero só notícia boa! E foi por isso que escolhi meu presente de aniversário: Baby, me leva pra São Paulo em plena quinta-feira que nós vamos ao CLANDESTINO!
Reserva feita, pagamento adiantando e lá vamos nós!

O Clandestino como já comentei por aqui é um projeto da chef Bel Coelho em paralelo com o seu restaurante, Dui. Ele acontece num pequeno e não menos charmoso salão em cima do restaurante e é para apenas 15 felizardos! 

na cozinha do Clandestino
 Eu estava mega ansiosa, ainda mais por não conhecer o trabalho da Bel e já ter ouvido algumas criticas ruins em relação a ela.

Fomos recepcionados no bar por um drink de tirar o chapéu, um Bloodmary de tamarindo, com espuma de pepino no topo e com flor de sal na borda do copo.
Vai, torce o nariz mesmo. Mas um dia aparece por lá e pede esse drink, depois a gente volta a conversar ok?!

o bar
Ainda no bar reconheci ninguém mais, ninguém menos, que a ilustre Ailin Aleixo ali sentada.
 Imagina só... Eu sou fã total da mulher, devoro o Gastrolândia sempre que tem post novo, sigo ela no twitter, facebook, acompanho o seu blog Mulher Honesta e leio a Alfa, na qual ela é editora. Resumindo, quase surtei quando me dei conta que ela estava ali, no mesmo Clandestino que eu, no dia do meu aniversário! Sem contar que eu logo imaginei...vai ter post novo no Gastrolandia!
Enfim, empolgações a parte...

Pra acompanhar o menu de 13 pratos, optamos por um vinho chileno (tenho sido muito feliz com os vinhos chilenos), um Amayna Pinot Noir 2008.


apaixonei!


Bel e sua equipe
Tudo começou com um croquete de mandioquinha com queijo meia cura e farofa de aviú seco (aviú é um micro camarão)


A próxima entrada foi meu encanto. Caramelo com creme de marrom glacê e raguzinho de costela de porco. 


Não tenho palavras para descrever o prazer que essa coisinha linda e deliciosa me proporcionou. Sabe aquela sensação de "perfeição" na boca?! Onde textura, sabor, contrastes se harmonizam de uma forma sem precendentes?! Não??? Então...é isso. Em minha opinião a melhor das entradas. 
Fernando está de acordo, né meu amor?

O bombom de foie gras com gelatina de cachaça, limão cravo e compota de caju também estava ótimo, ainda mais pra quem gosta de verdade de um foie gras como eu.


E a tal da coxinha líquida?
Diferentemente do Fernando, eu não sou a pessoa mais adequada para julgar coxinhas, já que não sou a maior apreciadora desse “belisquete”, mas preciso admitir...o bagulho era louco! 

 
Explica, onde é que isso ai parece uma coxinha? Porém, quando se colocava na boa sentia-se o sabor da massa, o recheio de frango bem temperadinho, a crocancia, tudo estava lá, mas não tinha a consistência e nem a aparência convencional. Surpreendente!

A Saladinha brasileira era feita de mousse de pupunha, com uma camada de gelatina de tomate, crispy de beterraba e espuma de cenoura. Ahhh, se toda salada fosse assim, eu estaria magrinha! Essa saladinha é meu xodó, comeria uma tigela inteira dela!

Saladinha com brotinhos
 Carpaccio de vieiras com tamarillo (frutinha da família do tomate), bottarga (ovas de peixe seca) e vinagrete de wasabi.



Atum em crosta de chá preto com chutney de manga bok choy (uma espécie de acelga chinesa) e tare de coco. Esse prato me encantou mais com o bok choy do que com o atum propriamente dito.


Agora o meu prato predileto: Costela de tambaqui em baixa temperatura, purê de banana, farofa de castanha do Pará ao molho de açaí.


 Sensacional!!! Sou completamente suspeita para falar desse prato já que minha paixão pela comida do norte do Brasil é do tamanho do meu apetite e atualmente estou obcecada por isso.  Estou PRE-CI-SAN-DO de um tour gastronômico em Belém, Manaus...

Mais um prato típico do norte, Pato no tucupi Clandestino, com purê de mandioca e a florzinha do jambu.



 Ovo P.F. - Esse é meu prato preditelto...(Acho que eu já disse isso, não?)
E sem dúvida foi o "escolhido" do Fernando!

P.F.- De Perfeito? Ou de Prato Feito?

Manja alguém que gosta muito de ovo? Euzinha.
Manja alguém que gosta muito de feijão? Euzinha.
Da pra imaginar o estrago que esse prato fez nas minhas emoções, não? Ovo de gema molinha, um caldo de feijão fenomenal, couve crocante e aquelas sementinhas de quiabo apimentadas, só pode ser para me derrubar. E seguindo as orientações “Vá derrubando aos pouquinhos a farofa para degustar junto” (Dá pra mandar mais um desse, please?)
Como diria o Fernando, o prato como um todo é tão completo que chega a ser quase uma injustiça chama-lo de Ovo. 

Né, meu amor?
Chegando nos doces o rico Zona da Mata, que o garçom não se atreveu a tentar explicar de tantas frutas que iam nessa sobremesa.



Doce de Abóbora Clandestino, redondinho na boca.


E para finalizar e nos preparar para o café final, o creme Brulée de chocolate 100% cacau com azeite e caramelo de especiarias.



O serviço foi mais do que correto. Contamos com a simpatia da Lu, que fez questão de nos explicar todos os pratos!
O fim do jantar foi coroado ainda com um espresso feito no aeropress e adivinha de quem? A musa do café, Isabela Raposeiras (não to acreditando que eu ainda não fui no Coffee Lab! Vê se pode? Isa, me aguarde!)!

Nem coado, nem espresso, mas com o melhor dos dois!

 No fim acabamos praticamente numa degustação de café, gentilmente regida pela Lu. Primeiro o aeropress, depois o blend espresso da Raposeiras feito para o Dui, e por ultimo o mais forte dos Nespressos.

A Bel foi uma fofa e atendendo a pedidos da tiéte aqui, autografou meu menu (com dedicatória e tudo!), e foi entregar-me pessoalmente, parabenizando-me pelo aniversário com um abraço carinhoso.


Bel, obrigada por me fazer tão realizada nessa noite especial! 
Um agradecimento especial para toda equipe! 

Aliás, deixemos uma coisa muito clara por aqui: a Bel é talentosíssima e linda. As críticas são infundadas, pura dor de cotovelo! E o Clandestino é uma experiência única.



Meu aniversário - Fernando - Clandestino - Ailin Aleixo - Bel Coelho - café da Isa Raposeiras
Eu garanto, não tinha como ser melhor que isso!

27 abril, 2011

Margarida Café, em Paraty


Coloquem ai na listinha "must go" de vocês. Dica quente em Paraty!


Se tem alguma coisa que não gosto é de estabelecimento “pra turista ver”, ainda mais quando falamos de restaurantes.  
Tenho raiva de mim mesma quando entro naquele restaurante com cara de bacana, de localização estratégica e deparo-me com um cardápio enganoso. E caro. E tenho mais raiva ainda quando não sigo meus instintos de levantar e ir embora e acabo ficando, comendo mal e gastando muito.
Enfim.

O Margarida Café tem cara disso, de restaurante “pra turista ver”, mas incrivelmente não é! 
Ele fica no Centro Histórico de Paraty e a proprietária do restaurante, Dona Ádila Raposeiras, é mãe da famosa barista Isabela Raposeiras conhecida pelo Coffee Lab em São Paulo (o qual infelizmente ainda não consegui ir conhecer, mas que esta na minha listinha “must go”). 

Isabela Raposeiras

 Ádila também é proprietária da pousada que ficamos, O Solar das Margaridas. E tanto no restaurante, quanto na pousada, ela serve café com grãos especialmente selecionados pela Isabela. Delícia!

Bom, o restaurante é um charme só! Logo na entrada tem uma boneca esculpida em um tronco de árvore com uma cesta cheia de margaridas (de verdade) que é um mimo.

fofa!

As colunas do salão são de pedras, o teto com vigas de madeira expostas e piso de ladrilho hidráulico. A cozinha fica a vista, separada do salão por grandes janelas.

a cozinha ao fundo
  O restaurante possui uma adega climatizada, Enoteca Fasano, com capacidade para 2.500 garrafas, com até algumas mesas dentro para quem procura um ambiente mais tranqüilo.


Uma coisa que me impressionou foi a música ao vivo. Músicos de verdade tocavam no lugar, não esses intérpretes de quinta com um simples violão na mão cantando os clichês da MPB. Era música de qualidade mesmo! Paguei o couvert artístico com gosto! E tinha gente até comprando os CD´s dos músicos.

O cardápio é vasto, com opções para todos os gostos. Na minha lógica, se estou numa cidade litorânea acredito que peixe seja o carro forte da região. Costumo buscar em cada lugar o que mais expressa a cultura gastronômica local, portanto essa seria nossa pedida, juntamente com um vinho branco.

Uma observação importante: não é todo mundo que segue a minha lógica. Uns gringos da mesa ao lado, com um menu vasto e apetitoso optaram por comer uma salada e uma pizza. Salada e pizza? Ainda mais estranho é eles comerem primeiro a pizza e de saideira a salada. Que potencial desperdiçado!

O prato do Fernando chamava Chefe Alain Uzan, que é um lombo de peixe grelhado, confit de alho, medalhão de baroa e abobrinha com creme de camarão. Prato lindo de morrer! E eu quase morri de inveja daquele alho maravilhoso.

Chefe Alain Uzan

O prato que escolhi pra falar a verdade eu não compreendi completamente o que viria, mas eu gosto de surpresas. E geralmente elas são boas! A idéia do prato era mais ou menos assim: um belo filé de peixe, enrolado como rocambole, recheado com uma pasta de camarões e empanado, servido com um ravióli de abóbora.

dos deuses!

Meu amor me desculpe, mas nessa eu levei a melhor! Meu prato estava perfeito. O ravióli que parecia comum, era surpreendentemente divino. O peixe era crocante por fora, macio por dentro com aquele “quê” da pasta de camarão. Só de lembrar salivo!

O fraco do lugar eram as sobremesas. Petit gateau, creme de papaia e brownie não era exatamente o tipo de sobremesa que eu esperava daquele lugar. Preferi me abster das calorias mal ingeridas. Tanto potencial no menu e deixaram as sobremesas de lado. Uma pena.

Mas eu sabia que o cafezinho não me decepcionaria. Servido com dois biscoitos, era de gemer! (sim, dá pra gemer com um bom café, ainda mais com aquele biscoito)


Estivemos lá em outra oportunidade para almoçar e pedi um rigatone com lulas, mariscos, polvo, camarões, que mais uma vez mostrou a que veio.

Dona Ádila, a sra. está de parabéns! Pela filha, pela pousada e pelo restaurante!



10 abril, 2011

Uma pequena parte de nós, só para nós.


..The Fray, alta Gastronomia, cozinhar, ler livros, Monte Verde, Janelle Monàe, massa de pizza caseira, Lost, fotografia, os livros da Trilogia Millenium, Seu Jorge, bolinhos de arroz aos domingos, House, frio, montanhas, rabada com polenta, Maria Gadú, fondue, Paris, Original gelada, Paraty, feijoada, Dexter, churrasco em casa, Peugeot, relógios, Ici Bistro, vinho, twitter, Bandit, baixa Gastronomia, planejar, café espresso, café com leite nos dias frios, Victor & Leo, lençol 200 fios, lençol 300 fios algodão egípcio (!), Angelina, cafuné, O Encantador de Cães, War, Campos do Jordão, tranca, Monopoly, D.O.M., Consolations Prizes,  Fórmula 1 aos domingos, bicicleta, Big Brother Brasil, chocopots, França, mil folhas, Taubaté, Cafés, Visconde de Mauá, Facebook, Buenos Aires, perfumes, Applee, One Republic, Maringá RJ/MG, pic-a-pix, rosquinhas de leite com café com leite, word, carinho nas costas, sol de inverno, ar-condicionado no quarto, cochilo da tarde,...

Esse post é para você, a pessoa mais importante da minha vida. E representa uma pequena parcela do que somos, do que nos tornamos e do que nos faz feliz.
Te amo.




O primeiro de todos os anos de nossas vidas.

10 de abril de 2010
19hs
Igreja Santa Terezinha
Dia do meu casamento


10 de abril de 2011
Hoje
Meu aniversário de casamento!

Não é Réveillon, mas fiz minha retrospectiva desse 1 ano e muita coisa mudou. Muita coisa me mudou.

Sem dúvida a mais palpável mudança foi a de cidade, mas não foi a maior. As maiores transformações aconteceram no silêncio de minha mente e meu coração. 

Sair da maior (e mais apaixonante, em minha opinião) cidade do Brasil com 11 milhões de habitantes, para viver numa cidade do interior do Estado, com 280 mil habitantes é pelo menos um choque.

Porém, foi nessa Taubaté que me descobri uma nova pessoa, que libertei-me das amarras da irritação, da instabilidade de humor, da falta de paciência, da pressa que me atormentava, da tolerância zero.
Foi em Taubaté que vi que eu não era quem imaginava, que conheci meu lado mais leve, mais sereno. Foi aqui que troquei a vida de solteira pela de casada, a vida em um apartamento por morar em uma casa. Aqui troquei a insana e estressante rotina de SP, por uma rotina mais tranqüila. Troquei horas desperdiçadas com transito por conseguir almoçar em casa e ainda tirar um cochilo! (me diz, alguém mais tem esse privilégio?). Foi aqui tomei banho de chuva em uma bicicleta!

E foi aqui também que passei o maior calor da minha vida! Troquei a “São Paulo da Garoa” pela “Diabolicamente Ensolarada Taubaté”.

Nesse ano tive que aprender a lidar com a distância de novo, mas desta vez por causa dos amigos e pessoas queridas. Nesse ano perdi (quando mudei) e reencontrei (quando voltei a trabalhar em SP) o “jantarzinho entre amigas” durante a semana. Nesse ano senti falta dos meus velhos amigos e conheci novas pessoas. E percebi o quanto é difícil, por mais acolhedora que Taubaté seja, entrar nos círculos sociais de amigos de infância, de pessoas que estudaram no primário juntas, se formaram na mesma faculdade e ainda trabalham juntas.

Nesse ano aprendi a administrar uma casa e notei que fiz isso de uma forma natural, quase sem perceber. E com prazer.
Nesse ano eu entendi o verdadeiro valor de “lar”. E definitivamente, não há nada como nosso lar. De todas as viagens que fiz, de todos os lugares que fui e programas que fiz, por melhor que foram, nada me deu tão prazer quanto voltar para a nossa casa e dormir na nossa cama.

E foi nesse período que fiz a minha grande viagem, meu grande sonho, ao lado do meu grande amor, em um dos melhores momentos da nossa vida. E foi indescritível... Até a palavra “perfeita” não é páreo para descrevê-la. A França é mágica, e Paris me fascina. Como diz o Fernando, Paris não tem cheiro, tem perfume. Perfume que sinto em meus sonhos até hoje.




Nesse período aprendi também que existem exceções à regra, que a razão e a justiça infelizmente não são tudo que eu preciso pra ser feliz, que relações nem sempre possuem a mesma dinâmica e que falar nem sempre resolve as coisas. Aprendi que nem tudo está a meu alcance de resolver, por mais que eu tente, por mais que eu me empenhe, por mais que eu de a cara a tapa. E vi que algumas mágoas ainda não aprendi como esquecer.
Aprendi que preciso saber como “deixar pra lá”, como se importar menos e como ficar calada sem que isso me corroa por dentro.

Nesse período olhei muito pra dentro de mim. Coloquei a mão em meu peito e prestei atenção no que sentia e sinto. Questionei-me o que poderia fazer para mudar. E muitas vezes não encontrei a resposta certa. Percebi que ser correta, ter coragem, ser honesta, transparente e justa não mudam meus sentimentos e que algumas vezes não me ajudam em nada. Percebi que princípios que eu defendia a ferro e fogo não me servem. Percebi que talvez precise de ajuda. E fiquei feliz de chegar nessa conclusão, que às vezes muitos têm dificuldade em admitir. 

Nesse 1º ano tomei um chaqualhão do meu próprio corpo. Olá! Você está ficando mais velha. E negligente. Triste ver que meus 20 anos se foram e que meu peso vive me desafiando... E ganhando. Percebi que a luta será eterna e que preciso urgente encontrar algum equilíbrio nisso.



Desde que me casei tive que aprender a lidar com uma pessoa do meu lado 7 dias na semana, o meu marido. Viver uma vida de dois. Parece fácil, mas não é. No entanto, é um desafio delicioso.

Vi que por mais que exista muito amor, um relacionamento desequilibrado é capaz de minar um casamento. Enxerguei as manias dele, as minhas. E aos poucos fomos adaptando-nos e moldando-nos. Tive certeza de que alma-gêmea é o de menos... Não importa se nascemos predestinados, o que importa é o que fazemos em vida, juntos. Fernando e eu conhecemos bem essa arte. Dobra-se aqui, ajusta-se ali e lá estamos nós sempre mudando para atender nossas necessidades individuais e como casal.

Percebi que por mais que minha relação com ele pareça especial e completamente diferente do que enxergo nos relacionamentos dos outros, ela não é infalível ou inatingível. Percebi que minha relação é tão frágil quanto qualquer uma. Chorei e tive medo quando me dei conta da minha ilusão, mas descobri uma força imensa de lutar por “nós”. E vi isso nele também. 
Nos fez tremendamente mais fortes.

Aprendi que não posso chegar ao limite, que não posso encher o copo até a boca e correr o risco da última gota. Chegar próximo dessa linha nos faz dizer e fazer coisas que só nos farão mal. Desestabiliza-nos. Os males devem ser cortados na raiz para que não virem monstros criados por nossa insegurança, ciúmes e irritação.

Eu o Fernando crescemos um ao lado do outro nesse tempo. Hoje consigo entende-lo mais e ver nos olhos dele o que o aflinge ou as suas intenções. Nossa relação não é perfeita, nem nunca será, mas estamos trabalhando sempre para melhor atende-lo.
;)

Não troco a vida que levo por nada. Não digo que não derramei lágrimas nesse 1 ano, mas a felicidade está muito além de lágrimas e sorrisos. E hoje estufo o peito pra dizer que sou feliz.


Tenho lutado para ser uma pessoa melhor, uma amiga melhor, uma esposa melhor, uma filha e uma irmã melhor. As vezes falho, mas muitas vezes tenho sucesso. E, querendo ou não, a intenção aqui é muito valiosa.

Fui muito feliz nesse 1 ano!

Alcancei tudo o que eu almejei e que lutei pra isso. Tive sucesso nas minhas escolhas. Apesar de ter recomeçado meu lado profissional, sinto-me renovada, segura e uma profissional muito mais eficiente. Tenho paz para exercer minha profissão da melhor forma possível. E estou recebendo meu reconhecimento. 
Montamos nossa casa aos poucos, entramos com o que tínhamos, compramos uma coisa aqui, outra ali,  mexemos aqui, pintamos ali...e ela foi virando o nosso lar. Ainda não está 100% pronta (e cá entre nós, nunca estará), mas é nossa e eu gosto muito dela! Também ajudamos pessoas queridíssimas a terem o lar delas e isso me faz bastante feliz.

 Em comemoração ao nosso 1º ano de casados estamos em Paraty nesse momento. Não é a viagem dos nossos sonhos, mas com tantos planos concretizados não podemos exigir demais de nós mesmos. Além do que a gente se basta, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. E está muito muito bom! Lugares lindos, comida boa e que com certeza contribuirão para um post em breve.
Baía da Preguiça - Paraty


Meu amor, felicidades para nós hoje!